domingo, 24 de janeiro de 2010

Os maleducadinhos estão lá fora.
Eles estão lá fora. Os três pretinhos de camisas brancas em suas motoquetas inorgânicas, depois vão para o troca-troca e limpam tudo antes que eu possa pegá-los. Gritam, xingam, apedrejam tudo. As casas, os carros, os moradores. Da janela miro a orelha preta do gritador e meu cigarro cai aceso no chão. A orelha preta escapa ao meu brasão. Eu odeio mais que eles podem imaginar. Eles só tem 8, 9 anos de raiva, já acumulo 26. Fontela morreu aos 58, só, no sanatório, sem dinheiro. Sem amigos, sem emprego e sem dinheiro e triste porque essa é a face que nos foi revelada e a única que conhecemos. Mas os pretinhos tem uma espécie de radar e sentem quanto os odeio. Saem com seus infernos em silêncio e na minha cabeça a maquinaria volta a funcionar, o ancinho, raide aéreo. Então posso odiar o resto do mundo. Odiar o ódio que sinto. Roçar a navalha na carne e sentir dor, fuga do ódio. Eu preciso descansar, de tudo, em paz.
Estive longe por muito tempo.

2 comentários:

Cito Rodrigues disse...

Sentindo saudade do "Estranho no Ninho". Vou tentando de "One Flew Over the Cucko's Nest" do mesmo Ken Kesey, mas de esquisita leitura.

marc. disse...

"Saem com seus infernos em silêncio"... Tu és um puto!!!! ;)


Xingar é falta de forma(to) só!