quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Deu para rir. Vira e mexe mostra os dentes à toa, não emite um som sequer e aperta os olhos enxergando à frente sabe-se lá o quê, visto que talvez haja meio milímetro entre as palpebras, nem isso. Ri. Quando a dona lhe fechou na cara , por engano, a porta de peroba de lei, ele riu coçando do estomago aos mamilos, debuxando paralelos imaginários na camiseta preta, deixando escapar em profundos suspiros o que antes coagularia no fígado uma cicatriz de ódio, gatilho para a autodestruição, agora um foda-se. Um ska, um samba, um mantra, Joni Mitchell. Rindo, não aceita que lhe chamem bipolar, que isso é coisa de viado. Rindo, expurga os demônios, atrai felicidade, tira as notas do bolso e paga para uma puta, daquelas mais caras, limpas e de bundas inacreditávelmente gostosas, que é para não ter mais envolvimento na hora do sexo. Agora ri depois canta, vai para o Jazz de luz baixa recendente à maconha, tunante, junta-se à marginália de agora e caminha em paz. Foda-se, riscando paralelos na camiseta preta ri o homem de tímida decência encerrando um longo ciclo de ódio e passado. Ri ignorando todos nós, o resto. 
Ri acreditando numa próxima vez que amará o mundo.

Um comentário:

M. Rodrigues disse...

última frase do poema "Recente e atemporal" do desconhecido autor do blog: http://kasckinha.blogspot.com.br