terça-feira, 6 de abril de 2010

"Jubiabá dizia:
- Ojú ànun fó ti iká, li ôkú.
Sim, Antonio Balduíno bem sabia que o olho da piedade já vazara e que ficara somente o olho da ruindade. Na noite misteriosa do cais, cheio de músicas diversas, ele quis soltar a sua gargalhada alta, que era o seu grito de liberdade. Mas ela a havia perdido. Estava desmoralizado. Já não era o imperador da cidade, já não era Baldo, o boxeur. Agora a cidade o apertava como corda no pescoço de suicida. Diziam que ele tinha se vendido. E o mar batendo nas pedras, os navios que saíam iluminados, os saveiros que partiam com uma lanterna e um violão valiam como chamados irresistíveis. Ali estava o caminho de casa. Viriato, o anão, entrara por ele, por ele entrara o velho Salustiano, outros entraram também. No peito de Antonio Balduíno estavam tatuados um coração, um L enorme e um saveiro.
Pegou o gordo e fugiu para o mar num saveiro. Ia procurar nas feiras, nas cidades pequenas, no campo, no mar, a sua gargalhada, o seu caminho de casa."

Um comentário:

Maria Valentina disse...

oi, faz um tempo estou te lendo, então decidi falar oi. gosto, viu?