sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Seus olhos descrevem o arco
Niemeyer
Curva, equilibre a curva.

Fita lacônica
Grandes pedras sobrepostas
Eminente realização do ócio.

Que importa
Toneladas de mármore
em ausência de Forma?

Até!

Seu peito exala, cansada
Le Corbusier, lê.
Turva, curve-se à turra.

domingo, 25 de setembro de 2011

Oi, Tum! Martelo Alagoano...

domingo, 10 de julho de 2011

Eu dirigia pelo deserto ardente quando avistei, na gélida imensidão, seis aviões deixando seis trilhas de vapor branco. Era o hexagrama dos céus, eram as cordas do meu violão, Amelia, foi só um alarme falso.
O zunido dos motores voadores é uma canção tão selvagem e triste que tumultua o tempo e temporadas se te afetar, depois sua vida se torna um diário de bordo com fotos e postais charmosos, Amelia, era só um alarme falso.
As pessoas lhe dirão onde foram, elas lhe dirão onde ir, mas até chegar lá por si mesmo você nunca realmente saberá onde elas encontraram seus paraísos, outros vem apenas para prejudicar, oh Amelia, foi só um alarme falso.
Queria que estivesse aqui hoje, mas é tão difícil obedecer seu triste pedido de gentilmente me manter afastado... Então é assim que escondo a mágoa, pelo charmoso curso da estrada e digo Amelia, foi só um alarme falso.
Um fantasma da aviação, ela foi engolida pelo céu ou pelo mar, como eu sonhava voar, ascender como Ícaro em belos e puros braços Amelia, foi só um alarme falso.
Talvez eu nunca tenha amado, acho que essa é a verdade. Eu venho gastando toda minha vida nas mais altas nuvens e vendo tudo lá embaixo. Colidi em seus braços Amelia, foi só um alarme falso.
Eu pousei no Cactus Tree Motel para me lavar da poeira e dormi em estranhos travesseiros. Sonhei com um 747 sobre fazendas geométricas, Sonhos, Amelia, Sonhos e alarmes falsos.

Amelia - Joni Mitchell

terça-feira, 14 de junho de 2011

Onde está o ritual? E, me diga, onde está o sabor?
Onde está o sacrifício? E, me diga, cadê a fé?
Algum dia haverá uma cura para a dor. Será nesse dia que jogarei minhas drogas fora.
Onde é a caverna que habita aquela sábia mulher? E alguém sabe onde foi parar todo o dinheiro que gastei?
Eu proponho um brinde ao meu auto controle. E você ri, indefesa, no chão.
Quando acharem a cura para a dor.



Morphine

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Olha, tudo está bem e aqui estou novamente com um sorriso brilhante no rosto. Com meus amigos todos à volta, todas as minhas inibições desapareceram completamente, estou feliz, encontrei alguém em quem posso confiar. É a volta do vaqueiro espacial, vibrações positivas interplanetárias, na velocidade da erva nós vamos mais fundo, talvez eu tenha que ficar na boa para me sentir melhor, eu tenho essa vibração da erva. Cheeba-Cheeba vibe.
Tudo está bom e verde, digo que estou vermelho de novo e eu não acho que estou em decadência. Posso ver claramente, no alto do céu, um homem com quadros psicodélicos de felicidade escondida em seus olhos, ele está feliz, encontrou alguém em que pode confiar.  




Space Cowboy - Jamiroquai

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Que presentes te daria?
Uma estrela vã do firmamento
Pra iluminar o vão do pensamento

Uma tevê na garantia
Árvores plantadas no cimento
E meu perfume na rosa-dos-ventos

Um novo ritmo da Bahia
Cartas de amor com frente e verso
E meu percurso nesse universo

Nas horas sem fim
Em que a dor não tem mais cabimento
É no teu prumo que eu me oriento

Catedrais de alvenaria
Senhas pra não mais perder a vez
Casa, comida e um milhão por mês...

Kléber Albuquerque



terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

What do You Care?

Lá estava, sentada fumando seu cigarro de filtro corado, forte como sua personalidade, para ela tão nocivo quanto minhas verdades. Timidamente escapava um trago, recusando-se o alcatrão a invadir seus pulmões, intoxicar sua carne, enrugar a perfeição daquela pele milimetricamente bem cuidada. De longe eu a via, imaginava. A boca vermelha cor-de-sangue, entreaberta, seduzia minha boca a dizer lhe palavras sutis que pudessem expressar quão bela era a imagem na qual meu olhar fixava-se obsessivamente. As rubras madeixas rebelavam-se pelo rosto, dando ares de mulher acima das convenções contemporâneas da condução estética feminina. Antes que ela pudesse abrir os olhos, o silêncio interminável do segundo em que estávamos se desfez com o toque da trombeta. O azul dos seus olhos comungou com o azul do céu, e como um anjo ela desapareceu de onde estava, rumo ao infinito que a aguardava.